Dia Nacional da Conservação do Solo: o solo do Pantanal

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Hoje, 15 de abril, é comemorado o Dia Nacional da Conservação do Solo! A data foi escolhida em homenagem ao nascimento do americano Hugh Hammond Bennett,  considerado o pai da conservação dos solos nos Estados Unidos e o primeiro responsável pelo Serviço de Conservação de Solos do país. Mas qual a relação com o Pantanal?

Solo do Pantanal

Com auxílio do professor/doutor e biólogo Sandro Menezes Silva, vamos falar um pouco do solo deste bioma tão importante.

O solo do Pantanal é bastante diversificado. Caso você não saiba, estamos falando de uma região de cerca de 150 mil/km²! Se formos considerar o bioma em geral, é um solo hidromórfico, ou seja, trás na sua composição características de um solo que passa por regimes de inundação. Outra característica é que em sua maioria, são formados basicamente por sedimentos trazidos pelos rios que formam a planície pantaneira, ou seja, são bastante arenosos.

Foto de Marina Klink

Nas regiões mais ao norte da planície pantaneira, existem alguns lugares que o solo é mais argiloso. Já na região central, é bastante arenoso, principalmente na região do Rio Taquarí. Ao sul, eles assumem um caráter um pouco mais argiloso também, em função das influências da bacia do Rio Miranda. 

Regime de inundação

O regime de inundação varia muito de acordo com a topografia, que são os “acidentes” geográficos da região. Como algumas regiões da planície pantaneira ficam livres praticamente o tempo todo da água, como por exemplo as Cordilheiras, o solo não tem essa característica hidromórfica tão marcante.

O que são características de solos hidromórficos? É um solo com coloração escura, podendo ser preto ou marrom escuro, em função da matéria orgânica que vai se acumulando, com topografia normalmente plana e a presença da água. 

No bioma, é possível perceber todo o trabalho de deposição e de transporte de matéria que são bem característicos de planícies aluviais, ou seja, formações geológicas que se caracterizam por serem planas ou muito pouco inclinadas.

Foto de Luciano Candisani

Fertilidade do solo no Pantanal

Em geral, os solos do Pantanal podem ser considerados pouco férteis. Em função desse regime de inundação, em sua composição, possuem bastante sódio e magnésio – em alguns casos.

Em certo ponto, é possível considerar como solos salinos. Além dessa questão da estrutura ser bastante arenosa e com pouca capacidade de retenção de nutrientes, o ‘ph’ é bastante ácido, devido à matéria orgânica. 

A vegetação estabelecida no pantanal está adaptada a esse tipo de solo! As espécies nativas do Pantanal tem em sua estrutura e fisiologia, formas de driblar essa situação de saturação hídrica do solo e da baixa disponibilidade de nutrientes.

Foto de Maurício Copetti

Uso do solo no Pantanal

O principal uso do solo pantaneiro é a agropecuária e tradicionalmente, através do manejo de pastagens de campos nativos. Campos nativos normalmente ocorrem nas áreas mais baixas e mais aplainadas. Muitas vezes, são relacionadas à vazantes, por onde a água passa durante o ciclo de inundação. 

De algumas décadas pra cá, com a introdução de espécies exóticas, principalmente as conhecidas Braquiárias, a paisagem de algumas regiões ficaram diferentes.

A aptidão agrícola do solo do Pantanal é muito baixa, por ser arenoso, pouco argiloso, e possui pouca capacidade de retenção de água e nutrientes. É um solo relativamente pobre e muito lavado de nutrientes, por ser sedimentado. Por esse motivo, não tem muita aptidão agrícola. Ele acaba sendo usado para a pecuária, que é o uso mais tradicional, porque inicialmente a pecuária era feita em campos nativos. As plantas que serviam de alimento para o gado, eram adaptadas para aquela situação. Na medida que foi introduzida a Braquiária como alternativa, visando maior produtividade na pecuária, ela foi encontrando no Pantanal condições favoráveis para se desenvolver. 

Hoje, a agricultura mais intensiva e mais mecanizada é muito restrita a alguns pontos. De resto, são mais pontuais e distribuídas, voltadas para o sustento da população local. De uma forma geral, demanda uma capacidade do solo muito maior que a pecuária, porque precisa de um aporte grande de nutrientes.

Em algumas regiões, podemos observar plantios de arroz, mas na maior parte da planície pantaneira, o que tem de agricultura é principalmente ‘agricultura de subsistência’ da população local. Sendo assim, podemos dizer que o principal uso do solo, como fator econômico é a pecuária.

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