Paliteiros do Pantanal

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A expansão da atividade agropecuária, iniciada em meados da década de 70, no planalto da Bacia do Rio Taquari, intensificou a entrada de sedimentos na planície pantaneira, dando origem ao mais grave problema ambiental e econômico do Pantanal. O assoreamento do leito do Rio Taquari no seu baixo curso fez com que, em 2005, cerca de 5.000 km2 de terras localizadas no Pantanal ficassem permanentemente inundadas, matando pastagens nativas e as árvores de cordilheiras e capões mais baixos. Essas ultimas deram origem ao que ficou tristemente conhecido como os “Paliteiros do Pantanal”.

Foto: Silas Ismael

As áreas de lavouras e pastagens que começaram sua expansão nos anos 70, intensificaram os processos erosivos na região, caracterizada por solos muito arenosos e topografia acidentada. O desmatamento removeu a proteção natural do solo e muitas vezes avançou até mesmo nas margens dos rios e riachos. As pastagens foram implantadas sem práticas de conservação do solo, fundamentais para uma região tão frágil. A falta de terraços, bacias de contenção, a movimentação do rebanho bovino para beber água nos cursos d’água , assim como estradas mal localizadas, agravaram a erosão por sulcos e levou à formação de enormes voçorocas. A rápida degradação das pastagens, sem práticas adequadas de manejo, levou os pecuaristas a ciclos de descapitalização e, consequentemente, de mais degradação

Foto: João Farkas

Toda essa areia desceu das voçorocas, entupindo os leitos dos afluentes e do próprio Taquari. O assoreamento do rio aumentou a sua instabilidade, provocando o rompimento de suas margens – os “arrombados” – e até mesmo a mudança do seu curso. Com o surgimento dos “arrombados”, como o Zé da Costa e o Caronal, extensas áreas das sub-regiões da Nhecolândia e principalmente do Paiaguás passaram a ficar permanentemente inundadas. Áreas de campo nativo foram substituídas por extensos tapetes de plantas aquáticas e regiões ocupadas por cerradão e o cerrado denso se apresentam hoje como grandes manchas de árvores mortas, formando um macabro cemitério onde troncos e galhos secos emergem como lápides das águas.  Esses ambientes passaram a ser conhecidos regionalmente por “paliteiros”.

Texto: Taquari Vivo / Renato Roscoe

Fotos: Silas Ismael e João Farkas
Drone: Silas Ismael

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