As Palmeiras no Pantanal

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Sandro Menezes Silva
Isamara Carvalho Ferreira

Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD
Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais – FCBA

As Palmeiras são plantas bastante comuns, facilmente reconhecidas graças ao aspecto típico que possuem, geralmente com um caule lenhoso sem divisões, encimado por uma coroa de folhas, geralmente grandes e com a lâmina profundamente recortada. São incluídas na família botânica das Arecáceas, também conhecidas como Palmae, e são típicas de diversas formações vegetacionais nas regiões tropicais e subtropicais do mundo, o que inclui o Pantanal. Estima-se que existam pouco mais de 250 gêneros e aproximadamente de 2.600 espécies nessa família, sendo 37 gêneros e cerca de 300 espécies nativas do Brasil. A classificação das palmeiras baseia-se nas características morfoanatômicas do caule, que nesse grupo recebe o nome de “estipe”, das folhas, dos frutos, das flores, além da distribuição geográfica e evolução da família.

O Pantanal abriga cerca de 1.800 espécies de plantas, em quase 140 famílias, sendo as Palmeiras representadas por cerca de 11 espécies, conforme informações obtidas a partir de bases de dados sobre biodiversidade e publicações sobre a flora do Brasil, e, especificamente, do Pantanal; são elas:

Acumã – Syagrus flexuosa (Mart.) Becc.
Acuri – Attalea phalerata Mart. ex Spreng.
Babaçu – Attalea speciosa Mart. ex Spreng.
Bocaiuva – Acrocomia aculeata (Jacq.) Lodd.
Bocaiuvinha – Acrocomia corumbaensis S.A.Vianna
Buriti – Mauritia flexuosa L.
Carandá – Copernicia alba Morong
Carandaí – Trithrinax biflabellata Barb.Rodr.
Iriri – Alagoptera leucocalyx (Drude) Kze.
Tucum – Bactris glaucescens Drude. –, isca para pesca,
Urubamba – Desmoncus horridus subsp. prostratus (Lindm.) Henderson

Algumas dessas espécies têm ocorrência principal no Cerrado, como é o caso da Palmeirinha-anã, do Acumã e da Bocaiúva, e, no Pantanal, geralmente estão restritas às áreas bem drenadas ou livres de inundações, como as cordilheiras, os capões e os aterros, ou então são originárias das florestas inundáveis da Amazônia, como a Urubamba, sendo então restritas às áreas úmidas ao longo do rio Paraguai, ao norte do Pantanal.

Uma característica comum do Pantanal é a ocorrência de formações vegetacionais monodominantes, isto é, um tipo de vegetação em que uma espécie representa mais de 50% dos indivíduos presentes, e nesse sentido as Palmeiras contribuem para esse mosaico ambiental com os “Acurizais”, bastante comuns em várias regiões, os “Buritizais”, típicos do Cerrado mas que no Pantanal ocorrem justamente na transição entre a planície e a parte baixa dos planaltos do entorno, nas regiões do Taboco e do Taquari, e os “Carandazais”, comuns nas regiões do Paiaguás e do Nabileque. As Palmeiras no Pantanal têm diversos usos pela população local, com grande importância alimentar, medicinal, sociocultural e econômica.

As espécies de Palmeiras do Pantanal e suas características

Acumã – Syagrus flexuosa (Mart.) Becc.
Palmeiras baixas, com estipes de até um metro de altura, e folhas que atingem até dois metros de comprimento. Produz flores bastante procuradas por abelhas nativas entre juh=lho e novembro, com frutos com polpa fibrosa e ricos em mucilagem adocicada entre setembro e janeiro. Os frutos são comestíveis, bastante procurados por roedores, porcos e jabotis; tanto a polpa dos frutos como as sementes produzem óleos comestíveis, podendo ainda produzir álcool a partir da fermentação dos frutos. Pode ser usada como forrageira, além de haver relatos do uso como vassoura e como planta ornamental. É mais comum em solos bem drenados, em vegetação de Cerrado, geralmente sobre solos arenosos.

Acuri – Attalea phalerata Mart. ex Spreng.
O Acuri é uma palmeira abundante no Pantanal, que muitas vezes constitui formações monodominantes conhecidas como “Acurizais”; além do Pantanal, ocorrendo ainda no Cerrado, na Mata Atlântica e na Amazônia, do Acre a São Paulo, além de Bolívia, Paraguai e Peru. Tem preferência por habitats mais abertos, incluindo áreas perturbadas, além de matas de galeria situadas sobre solos argilosos e ricos em cálcio. Pode atingir até 15 metros de altura, embora seja mais frequentemente encontrada com alturas entre 2 e 8 metros, com folhas longas e divididas, a partir das quais formam-se os cachos de flores e frutos, recursos chave para diversas espécies de animais, como roedores, porcos-do-mato (caititus e queixadas), araras, periquitos, jaós e jacus, além de animais de criação que, no Pantanal, são manejados de forma extensiva, como o gado bovino e os porcos, que atuam como dispersores de suas sementes.  A presença do Acuri é um indicativo de solos férteis e em algumas regiões tem-se o hábito de deixá-los nos pastos como forma de valorizar as terras. Nos meses de abril e maio os frutos estão maduros e começam a cair, podendo este período estender-se até setembro ou outubro. As flores são bastante procuradas por abelhas nativas, tendo grande potencial apícola.

Trata-se de uma espécie forrageira importante, especialmente quando as folhas são jovens e acessíveis ao gado; estudos sobre a composição nutricional do Acuri mostraram que a planta tem baixo teor de Cálcio, embora cresça em solos ricos nesse elemento, e tem teores médios de Fósforo e proteínas. A polpa do fruto tem teores médios de Magnésio e Cobre.

A água de coco é rica em sais e há referências do seu uso como colírio. Pode ser extraída seiva do estipe, usada na preparação de bebida alcoólica fortificante, apreciada na região; a região de crescimento do caule pode fornecer palmito comestível. As folhas são usadas como cobertura em construções de casas, sendo suas fibras trabalhadas empregadas na fabricação de chapéus e outros tipos de peças, além de, desfiadas e enroladas, servirem para fabricação de linha de pesca.

O fruto do Acuri pode ser usado de várias maneiras: a amêndoa na alimentação ou para extração de óleo, a polpa consumida in natura ou na forma de farinha, o caroço como carvão.

Frequentemente os Acuris abrigam, entre as bainhas velhas de suas folhas, espécies epífitas como o Rabo-de-bugio (Phlebodium decumanum), as Figueiras (Ficus.spp.), a Samabaia-macarrão (Psilotum nudum) e a Baunilha-do-mato (Vanilla spp.). Esta palmeira é bastante ornamental, podendo ser empregada com sucesso em projetos paisagísticos, valorizando assim as espécies nativas.

Babaçu – Attalea speciosa Mart. ex Spreng.
O Babaçu ou Aguaçu tem ocorrência bastante restrita no Pantanal, numa área de cerca de 90.000 hectares nas regiões da Nhecolândia, de Cáceres e de Barão de Melgaço. Trata-se de uma espécie resistente ao fogo, cujos frutos podem ser encontrados praticamente o ano todo, o que representa um importante recurso alimentar para a fauna. O babaçu tem, em geral, entre 10-20 metros de altura, com 7 a 22 folhas grandes, que atingem até 8 metros de comprimento.

As folhas são utilizadas para cobertura de casas e na vedação das paredes, além de fornecerem palmito comestível a partir de suas gemas. A palha seca das folhas é usada para confecção de cestos, esteiras, abanos e chapéus,

O estipe (caule lenhoso) é utilizado na estrutura das paredes e telhados de moradias, além de suporte para cercas.

Os frutos secos são utilizados como carvão, e da polpa é feita uma farinha, usada em mingaus e bolos. As sementes (amêndoas) são fontes de alimento, e quando trituradas podem ser usadas na produção de cocada e leite de coco, além de serem utilizadas em pratos como peixe e bolo de arroz; são ainda matéria prima para a produção de cosméticos e biodiesel.

O óleo da semente contém vitamina E, e pode ser empregado como tempero de saladas ou consumido como medicinal, além de servir para a produção de margarina, sabão e detergente.

A polpa dos frutos em pó é usada para alimentação e como medicinal (anti-inflamatória, analgésica e laxante), e contém amido em sua composição, podendo substituir a mandioca na fabricação de farinhas. As castanhas quebradas e os cocos estragados são substitutos da lenha no processo nos fogões, servindo ainda na fabricação de botões.

Bocaiuva – Acrocomia aculeata (Jacq.) Lodd.
Palmeira bastante comum em vários tipos de vegetação, do Pará até São Paulo e Mato Grosso do Sul, e na Bolívia, Paraguai e Argentina. No Pantanal é encontrada normalmente em áreas livres das inundações, em florestas semideciduais e Cerradões. Atinge até 25 metros de altura, com folhas de quatro a cinco metros de comprimento, dotadas de espinhos longos, escuros e pontiagudos, com cerca de 10 centímetros.

Trata-se de um Palmeira com diversos usos pela população do Pantanal, sendo os estipes usados na produção de moirões, estacas, paredes, caibros e ripas, servindo ainda para obtenção do palmito e de seiva usada para fabricação de bebidas. As folhas servem como forrageiras, especialmente quando novas, sendo ainda usadas na cobertura de casas e para extração de fibras usadas para em linhas de pesca e redes. Os frutos amadurecem entre outubro e janeiro, apresentam textura fibrosa e polpa com sabor e cheiro doces; são bastante apreciados por diversos animais silvestres, como araras, cutias, capivaras, antas, emas, tatus e roedores, além de animais de criação, como cavalos, porcos e gado. São usados para obtenção da polpa, que pode ser consumida in natura, cozida no leite como mingau, em sorvetes e licores, além de, como farinha, ser usada em várias receitas, como bolo, pão, sequilho e recheio de bombom. A semente, bastante resistente, pode ser usada como substituta da brita na produção de concreto e para confecção de botões; a amêndoa serve de alimento e pode ser usada no preparo de paçoca, triturada junto com farinha de mandioca, e para extração do óleo, com diversas finalidades, como alimento, combustível e cosmético. Geralmente, cada cacho de frutos produz cerca de 40 a 60 sementes, o que confere a essa espécie um grande potencial econômico, em programas de geração de renda e de suplementação alimentar.

Bocaiuvinha – Acrocomia corumbaensis S.A.Vianna
Palmeira com estipes solitários, de até oito metros de altura e 120 centímetros de diâmetro, sem espinhos, o que a diferencia da Bocaiúva mais conhecida. As folhas chegam a mais de 40, agrupadas no ápice do estipe, com até três metros de comprimento, com espinhos na superfície inferior. É comum a permanência de folhas velhas e secas na planta por um longo período. Inflorescências com espinhos, nascidas da base das folhas, espinhosas, com flores femininas na base e masculinas no ápice dos ramos.

A espécie é conhecida apenas para a região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, de onde origina-se seu nome científico, na borda oeste do Pantanal, em áreas abertas e bem drenadas, principalmente em vegetação secundária na área de ocorrência das florestas secas (floresta estacional decidual). Seu nome popular, Bocaiuvinha, deve-se ao tamanho dos seus frutos, menores do que na Bocaiúva, além da coloração dos frutos e da inflorescência, esverdeados e não amarelos como nas demais espécies congêneres.

Tal qual a Bocaiúva (Acrocomia aculeata), a Bocaiuvinha é usada para diversa finalidades no Pantanal, com grande potencial econômico. Os estipes são usados em construções, tanto como colunas como para sustentação de telhados, a seiva é usada na fabricação de bebidas, as folhas são usadas para alimentar gado e cavalos e para a construção de telhados, e suas fibras para linhas de roupas e redes de pesca. O caroço do fruto, extremamente duro e resistente, é usado como substituto do cascalho e da pedra na mistura de massa para construção civil e para fazer botões. As nozes são usadas para fazer doces e o óleo é extraído para alimentos ou cosméticos. As regiões de crescimento das folhas, conhecidas como “coração da palmeira”, são adocicadas e usadas como palmito após o cozimento. A polpa das frutas pode ser consumida in natura,  utilizada para a produção de sorvetes ou adicionada a bolos e pães. O óleo das sementes tem grande potencial para a produção de biocombustíveis.

Buriti – Mauritia flexuosa L.
O Buriti é uma palmeira de aspecto bastante característico, conhecida como um dos elementos típicos das Veredas, locais planos com vegetação graminóide onde há nascentes difusas, comum no Cerrado brasileiro. A planta pode chegar a até 25 m de altura, com 20 a 25 folhas, com formato característica de leque. Ocorre nos estados da Amazônia, além de Ceará, Bahia, Minas Gerais, Goiás, Mao Grosso e Mato Grosso do Sul. No Pantanal é abundante no leste de Barão de Melgaço e planície dos rios Negro e Taboco, em Aquidauana (MS), em locais com solos siltosos, em campo ou floresta ciliar. Pode ocorrer isolada, raramente, sendo mais comum ocorre em grupamentos quase puros denominados “Buritizais”.

O estipe, geralmente forte e vigoroso, é usado para ripas e jangadas, além de sua seiva ser usada na produção de uma bebida, o “vinho de Buriti”. Do caule também pode ser extraída fécula rica em amido. Suas folhas são usadas para cobertura de casas e fabricação de fibras para rede, esteiras e cordas; do pedúnculo das folhas é possível obter cortiça, usada para fabricação de rolhas, boias e brinquedos.

A frutificação ocorre entre dezembro a julho, podendo haver até sete cachos por planta, cada um com cerca de 400 a 500 frutos. Os frutos são comestíveis, sendo alimento de diversos animais, como aves (carcará, arara-canindé, maracanã-de-cara-amarela, papagaio-verdadeiro, gralha-do-campo, sanhaço-do-coqueiro, sanhaço-de-coleira e graúna), e roedores (cutia e paca). A polpa do fruto é usada para fabricação de doces e licores, fornecendo óleo comestível rico em carotenos e vitamina C. A semente (amêndoa) produz óleo claro usado para tratar o couro, que também pode ser matéria prima para biodiesel.

Carandá – Copernicia alba Morong
Palmeira com alturas variando entre oito e vinte metros, com folhas em formato de leque bastante características, armadas com espinhos recurvos; as bainhas das folhas velhas persistem no estipe por um tempo, aspecto que facilita o reconhecimento da espécie no Pantanal.

Além do Brasil, ocorre também no Paraguai, Bolívia e na Argentina, onde constitui elemento típico da vegetação do Chaco úmido. No Pantanal, ocorre frequentemente em formações monodominantes, os “Carandazais”, comuns nas regiões do Nabileque e da Nhecolândia, enquanto no Norte, nas regiões de Poconé e Cáceres, costuma ocorre de forma mais isolada, próxima aos capões onde ocorrem Cerradões. Trata-se de uma espécie tolerante ao fogo, uma vez que rebrota após a passagem rápida das chamas; em incêndios mais intensos pode haver morte dos indivíduos mais jovens. Sua presença normalmente está associada a solos alcalinos ou salinos, razão pela qual, na região do Nabileque, que recebe influência do planalto calcário da Bodoquena, é bastante comum.

Produz abundantes flores entre julho e novembro, bastante visitadas por diversas espécies de insetos, com bom potencial apícola como fornecedora de pólen. Seus frutos, produzidos entre fevereiro e maio, produzem amêndoa comestível, podem ser usados como iscas para Pacu e são bastante procurados por várias espécies de aves, como periquitos, papagaios, maritacas e araras.

O estipe, quando “maduro” (mais velho e sem as bainhas foliares velhas), é bastante usado na construção de casas e mangueiros, além de suportes para cercas, sendo bastante resistente à água. As folhas, quando novas, podem ser usadas como forrageiras em períodos de baixa disponibilidade de alimento para o gado, uma vez que tem uma camada bastante espessa de cera quando estão completamente formadas. O Carandá é congênere da Carnaúba, palmeira típica do Nordeste do Brasil, porém tem menor de ceras nas suas folhas. A palha obtida das folhas é tradicionalmente usada no Pantanal para a fabricação de chapéus, além de servir para a produção de cestos, cordas, vassouras e peças de artesanato. A palmeira do Carandá tem um grande potencial ornamental, podendo ser usada em locais úmidos e/ou inundados, desde que observadas as características do solo.

Carandaí – Trithrinax schizophylla Drude
Palmeira característica da região do Chaco, ocorrendo no norte da Argentina, noroeste do Paraguai e sul da Bolívia, com área de ocorrência restrita no Brasil ao sudoeste do Mato Grosso do Sul. Esta espécie geralmente forma grupamentos densos, em áreas inundáveis, junto outras espécies lenhosas características do Chaco úmido.

Tem estipe solitário ou em touceiras, entre dois e seis metros de altura e 12 a 20 cm de diâmetro, que costumam ficar cobertos pelos restos das bainhas foliares lenhosas que formam longos espinhos. As folhas têm formato de leque, com pecíolos longos e lâminas divididas em segmentos profundamente recortados. Os frutos podem ser observados em outubro, têm formato arredondado e são branco amarelados quando maduros.

Embora essa não tenha sido avaliada na elaboração da lista da flora brasileira ameaçada de extinção, estudo realizado por pesquisadores na EMBRAPA-Pantanal na região de Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul, propõe que seja classificada como Criticamente Ameaçada no Brasil, onde tem populações com distribuição bastante restrita, em áreas sujeitas à degradação motivada pelo uso da terra para diversas finalidades, notadamente pecuária.

Iriri – Alagoptera leucocalyx (Drude) Kze.
Palmeira de pequeno porte, até dois metros de altura, com caule subterrâneo, mais frequente em áreas drenadas onde ocorrem cerrados e capões, em solos arenosos. Como é tolerante ao fogo, pode tornar-se abundante em locais frequentemente queimados.

Produz flores bastante procuradas por abelhas nativas entre fevereiro e agosto, e frutos entre novembro e dezembro. Suas folhas podem ser usadas como forrageiras, sendo uma opção para os períodos de secas ou cheias severas, uma vez que têm aceitação mediana pelo gado. É usada como indicador da oferta de alimento para o gado, pois quando as folhas estão muito comidas é sinal de que está faltando pasto de melhor qualidade. Suas folhas ainda são usadas como vassouras rústicas. A parte basal do fruto é macia e comestível, lembrando o palmito, com pouca água e sabor de coco verde. Os frutos são procurados por roedores, sendo as sementes oleaginosas e a polpa reputada como febrífuga.

Tucum – Bactris glaucescens Drude.
Palmeira baixa, entre um e quatro metros de altura, que forma agrupamentos densos, principalmente em florestas ciliares e beiras de capões, geralmente sobre solos argilosos ou siltosos. Devido à densa trama de raízes superficiais, atua como fixadora de barrancos nos rios e contribui para a retenção de sedimentos. São resistentes a queimadas rápidas, porém não toleram incêndios mais fortes, quando perdem as partes aéreas e rebrotam a partir da base das touceiras de estipes. As folhas apresentam espinhos finos e longos, que podem ser usados como agulhas na fabricação de redes de pesca. Floresce entre maio e dezembro, quando suas flores são bastante procuradas por abelhas nativas, com frutos entre dezembro e maio. Seus frutos são bastante procurados por aves e peixes, sendo usadas como isca para pesca do Pacu. Os frutos produzem óleo comestível, ricos em carotenos, com sabor agradável. Devido às fibras longas nas folhas, podem ser usadas para a confecção de artesanato em palha.

Urubamba – Desmoncus horridus subsp. prostratus (Lindm.) Henderson
Palmeira trepadora, de pequeno porte, que usa folhas modificadas e curvadas, a semelhança de espinhos, para escalar outras plantas. Embora seja sensível ao fogo, tem a capacidade de rebrotar a partir da base da planta após as queimadas. Não se conhece sua época de floração, estando seus frutos disponíveis entre fevereiro e maio; são frutos comestíveis, doces e saborosos, procurados por aves quando nas plantas e por mamíferos quando caídos no chão.

Suas folhas podem, eventualmente, serem usadas como forragem pelo gado, apesar do incômodo gerado pelos espinhos fortes e curvados; fornecem palha para cobertura de casas e artesanato, sendo mais conhecidas as cadeiras feitas com essa palha.

Ocorre no Brasil e na Bolívia, entre 150 e 250 m s.n.m., em florestas de galeria, manchas de Cerrado e em Floresta Estacional Semidecidual, em locais frequentemente alagados e com solos arenosos ou argilosos. É restrita à parte norte do Pantanal, no Mato Grosso.

Há referências de outra espécie de Urubamba na região do Alto Paraguai, no Mato Grosso e Paraguai (Desmoncus leptoclonos Drude), porém em áreas mais altas, acima de 300 m s.n.m., onde ocorrem em diferentes fitofisionomias de Cerrado.

A) Fonte: https://images.app.goo.gl/X3gAsN1SgHxTgJS47
B) Fonte: https://images.app.goo.gl/9SUt5bSia5FcUM1m7

C) Fonte: https://images.app.goo.gl/4Jc6eSpW1oNJxxwu7
D) Fonte: https://images.app.goo.gl/XGMSkztdNimDbbyU7
E) Fonte: https://images.app.goo.gl/D8eccuP3K5coJcNo6

Figura 01: (A) Acuri (Attalea phalerata); (B) Babaçu (Attalea speciosa); (C) Bocaiúva (Acrocomia aculeata); (D) Buriti (Mauritia flexuosa); (E) Carandá (Copernicia alba).

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