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O que acontece no Documenta e no Pantanal

o herói sem capa: “Ruivaldo, O Homem que Salvou a Terra”

*Foto de capa: Luciano Candisani

No dia 5 de março de 2020 (quinta-feira), será exibido o filme “Ruivaldo, O Homem que Salvou a Terra”. Dirigido por Jorge Bodanzky e com co-direção e fotografia de João Farkas, o documentário é palco de uma grande discussão sobre conservação, contando a história da degradação gerada pelo assoreamento dos rios, no Pantanal, com enfoque no Rio Taquari.

Rio Taquari. Foto: João Farkas

UMA OBRA DE CONSCIENTIZAÇÃO

Tema de grande impacto mundial, a obra surge para relatar um problema que vem assombrando os rios do Pantanal e que pouca gente conhece: o assoreamento. O fenômeno pode causar o alagamento contínuo de áreas, ocasionando a morte de árvores ao longo da extensão alagada, assim como inutilizando grandes áreas produtivas, gerando um prejuízo enorme para a economia e desenvolvimento local. Por outro lado, em algumas regiões onde a água parou de correr devido ao baixo leito do rio, alguns trechos antes navegáveis, estão secos, impedindo a locomoção de embarcações pela paisagem.

O filme nasce para mostrar a visão de quem mora na área atingida pelo alagamento contínuo do Rio Taquari. Como protagonista, um fazendeiro que aos poucos viu sua terra ser tomada pelas águas e decidiu arregaçar as mangas e fazer algo para mitigar os danos.

RIO TAQUARI, PANTANAL. Foto: Jorge Bodanzky

ASSOREAMENTO

Mas o que é o assoreamento dos rios? O processo acontece quando detritos e sedimentos são carregados pela chuva e levados ao rio ou lago, elevando seu leito e diminuindo sua capacidade hídrica. Esses materiais são oriundos de erosões, regiões desmatadas e carregados pela própria chuva. Esse fenômeno é impulsionado pela ação humana e geralmente tem início nas partes mais altas, no planalto. Quando os sedimentos lançados no rio descem a serra para a planície, acabam afetando todos os que dependem da planície para viver, incluindo moradores, fauna e flora.

RIO DEGRADADO PELO ASSOREAMENTO. Foto: Jorge Bodanzky

O FILME

O documentário conta a história de Ruivaldo, um homem simples, mas determinado a salvar suas terras no Pantanal. Quando as águas do Taquari começaram a tomar conta de boa parte de sua fazenda, ele decidiu que teria que fazer algo por conta própria. A partir de uma ideia simples, começou a “proteger” sua terra da inundação, construindo diques com sacos de açúcar cheios de terra dentro, evitando que as águas avançassem mais ainda para dentro de sua propriedade e de áreas ainda florestadas. De maneira corajosa, ele faz sua parte para tentar salvar o bioma. Talvez sozinho ele consiga apenas salvar parte de sua terra, mas a atitude chama a atenção de outras pessoas para o problema, pois entre muitos, ele foi um dos poucos que decidiu permanecer e lutar.

A obra foi produzida entre março de 2018 e agosto de 2019. O documentário tem duração de 46 minutos e foi filmado em várias regiões do Pantanal. Nesses 17 meses foram realizadas seis viagens para pesquisas, entrevistas e tomadas aéreas com drone. No total, 44 profissionais estiveram envolvidos diretamente na produção, que utilizou aviões de pequeno porte, embarcações, carros e barco voadeira como meio de locomoção pelo extenso bioma. Após a première, ocorrida em Bruxelas em setembro de 2019, o filme será exibido em escolas brasileiras e participará de festivais. Além disso, também estão previstas projeções especiais em Corumbá e Campo Grande.

FICHA TÉCNICA:
Direção, fotografia e roteiro: Jorge Bodanzky
Co-direção e fotos: João Farkas
Produção: Mônica Guimarães
Roteiro e edição: Bruna Callegari
Música original: Marcelo Pellegrini
Som direto: David Pennington
Operador de drone: Silas Ismael
Consultoria: Sandro Menezes Silva
Patrocínios: Lei de Incentivo à Cultura, Rodobens, Ultra e Klabin
Realização: Mog Produtora, Secretaria Especial da Cultura e Ministério da Cidadania